Saiba como fazer a gestão de Absenteísmo da sua empresa

Fazer Gestão de Absenteísmo da sua empresa é analisar, compreender e controlar os principais motivos que levam à ausência do funcionário ao seu posto de trabalho. Essa gestão é parte fundamental da Gestão Integrada de Saúde Ocupacional e serve de direcionamento para ações, campanhas e programas em prol da qualidade de vida do funcionário, promovendo não só saúde ao colaborador, mas também reduzindo significativamente os custos para a empresa.

Como sabido, são inúmeros os componentes que incidem nas taxas de absenteísmo. No entanto, no texto de hoje, focaremos no absenteísmo por causas médicas, esse que é representado pela gestão de atestados médicos e que geram maior repercussão entre as faltas ocupacionais conforme ilustrado nos números abaixo:

Como pudemos ver, os números em decorrência dos afastamentos por causas médicas são muito expressivos e a ausência desses trabalhadores afeta diretamente o orçamento das empresas.

Qual o papel do atestado médico nessa gestão?

O atestado médico é um documento fonte de informações da saúde de todos os trabalhadores. A empresa consegue extrair através desse único documento informações que levam ao conhecimento de quantos dias de trabalho foram perdidos por trabalhador, o custo total dessas ausências, além de mostrar também os motivos que levaram a esses afastamentos, possibilitando um estudo epidemiológico ocupacional dentro da sua empresa.

Sabemos que por vezes esses dados tem sua importância negligenciada e que esses são utilizados apenas para fins de abono salarial;
Entretanto, é de extrema importância que a interpretação desses dados seja completa, pois só assim será possível gerenciar de fato a saúde da sua empresa.

Estamos na iminência de que o módulo SST – Segurança e Saúde no Trabalho – do eSocial entre em vigor; Com isso, os afastamentos do posto de trabalho deverão ser informados no evento S-2230 conforme aprazamento determinado pelo Governo Federal.
Esse decreto e suas exigências evidenciam a preocupação do governo em possuir os dados de afastamento dos trabalhadores e, portanto, destacam a importância de análise também por parte das empresas.

Na maior parte das situações, apenas os dados de afastamentos ocupacionais superiores a 15 dias são considerados pelas empresas, ou seja, só os casos que são encaminhados à Previdência Social têm a atenção dos gestores. No entanto, todas as causas, independente do período de afastamento, deverão receber atenção igualitariamente.

Um exemplo de como a gestão de absenteísmo é fundamental para a empresa ocorre nos casos em que são entregues dois ou mais atestados médicos que somam mais de 15 dias não consecutivos, dentro de um período de 60 dias. Quando identificado esse cenário, o funcionário deverá ser encaminhado ao INSS caso os motivos dos afastamentos forem relacionados à mesma doença.
Portanto, é imprescindível que a empresa tenha o controle dos dias e, principalmente, dos motivos dos atestados para que assim possa encaminhar seu funcionário à previdência social.
Veja na ilustração abaixo um exemplo desse cenário:

E se a empresa não encaminhar esse trabalhador ao INSS?

Para a empresa, a consequência está diretamente relacionada ao custo, pois o pagamento ao trabalhador ausente a partir do 16 º dia está à cargo do INSS, isentando a empresa de arcar com custos desnecessários.

Como a Gestão de Absenteísmo auxilia no sucesso dos Programas de Qualidade de Vida? 

Já faz algum tempo que as empresas estão engajadas em oferecer programas de qualidade de vida para aumentar o número de benefícios ocupacionais aos seus funcionários, porém, o retorno dessas ações nem sempre ocorre como esperado.
Existe uma queixa frequente por parte dos gestores de que esses programas têm baixa adesão e, portanto, pouca eficácia. Para reverter esse quadro, o conhecimento sobre a situação de saúde dos trabalhadores é fundamental, saber quais são os seus principais problemas, quais suas maiores queixas e, principalmente, saber quais os principais motivos de afastamento são os norteadores para atingir a adesão dos funcionários aos programas de qualidade de vida.

Para termos uma ideia de má gestão de PQVs (Programas de qualidade de vida), imagine uma situação hipotética onde os trabalhadores recebem como benefício um programa de gerenciamento de doentes crônicos, quando na verdade 90% dos seus funcionários tem menos de 30 anos e não apresentam fatores de risco para as DCNT (Doenças Crônicas Não Transmissíveis).
Nesse cenário hipotético, a empresa estará despendendo tempo e dinheiro desnecessariamente, evidenciando o problema de gestão que a assola.

Portanto, a gestão de absenteísmo é essencial na elaboração dos programas de qualidade de vida, pois é através do fornecimento de informações de saúde/doença dos seus trabalhadores que será possível objetivar a adesão dos seus trabalhadores.

Como a Gestão de Absenteísmo pode ajudar na redução de custos?

A empresa deve ter conhecimento se os seus trabalhadores estão se ausentando do trabalho por motivo de doença ou por conta da insatisfação com o clima organizacional da empresa, por exemplo. Gerenciar corretamente os motivos de absenteísmo dos trabalhadores é fundamental para a efetiva redução dos mesmos e como resultado, obter redução de gastos.

Além do direcionamento correto dos programas de qualidade de vida ao seu público, a boa gestão desses programas vai não só evitar gastos desnecessários, mas também propiciar lucros significativos em termos de produção, pois evitará a abstenção de seus funcionários por problemas de saúde física e mental.
Portanto, o diagnóstico correto dos seus motivos possibilita à empresa atuar de maneira efetiva na base desses problemas, obtendo assim, melhores resultados na taxa de absenteísmos por causas médicas.

Fazer Gestão de Absenteísmo pode me ajudar em algo mais?

A Gestão de Absenteísmo também repercute nos impostos devidos pela empresa!
O FAP (Fator Acidentário de Prevenção) é um multiplicador do RAT (Risco de Acidente de Trabalho) – veja mais no post Saiba mais sobre o RAT e o FAP e como eles são aplicados, que pode ser aumentado ou diminuído conforme a elaboração da gestão.
Para o cálculo do FAP são utilizados diversas variáveis de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, entre eles o NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário).
O NTEP foi instituído em 2007 e modificou a forma de classificar as doenças ocupacionais, delegando ao perito do INSS a responsabilidade de inclusão da doença ocupacional como relacionada ao trabalho, mesmo que essa opinião seja contrária a do médico do trabalho da sua empresa.

Fazer a gestão de abstenção dos funcionários através do controle dos atestados médicos permitirá que a empresa tenha argumentos suficientes para ir contra às determinações do INSS e contestar o laudo do médico perito do INSS.
Gerir o absenteísmo possibilitará ações preventivas ao afastamento previdenciário, podendo desqualificar o nexo e agir na segurança e saúde do trabalho reduzindo os casos de doenças relacionadas à sua atividade econômica.
Assim, quando a empresa discordar desse enquadramento, ela deverá contestá-lo dentro do prazo estabelecido pela legislação.

Como posso saber qual doença os meus trabalhadores possuem?

Com o controle dos atestados médicos!
Assim, com a mensuração dos diagnósticos das patologias que repercutem no trabalho e que geram afastamento, a empresa terá uma visão clara da saúde de seus trabalhadores.

Como implementar essa Gestão de Absenteísmo na minha empresa?

O primeiro passo para a gestão do absenteísmo é instituir a forma como os dados serão coletados. Ou seja, o fluxo de entrega dos atestados e inserção em sistema de análise de dados.

Para isso, comece estipulando os responsáveis pelo recebimento dos atestados, os prazos para a entrega e os dados que deverão estar presentes nesse documento – veja mais no post Saiba quais dados devem constar em um atestado médico.
O responsável pelo recebimento pode ser um profissional do SESMT (Setor Especializado e Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho), o gestor, o responsável do RH (Recursos Humanos), ou um profissional que a empresa designar para essa função.

Após o recebimento do atestado, esse deverá ser inserido em um sistema que possibilite a gestão e o controle do mesmo. Para isso, é importante que a empresa tenha boas ferramentas que auxiliem na Gestão de Absenteísmo, fornecendo alertas sobre casos críticos e indicando ações necessárias para a boa pratica de gestão.

Veja alguns exemplos nas imagens abaixo:

  • Um sistema que sinalize quando o atestado médico do seu funcionário somar mais do que 15 dias consecutivos, evidenciando a necessidade de encaminhamento ao INSS.
  • Um sistema que te mostre as principais métricas de Absenteísmo separados por setor.


Nos dias atuais, com o desenvolvimento tecnológico, não é aceitável que as empresas façam gestão no papel, ou apenas com uso de Excel.
Os sistemas online de gestão são efetivos na gerenciamento de saúde das empresas, pois realizam os cruzamentos de dados e geram métricas específicas que permitem um melhor direcionamento de ações corretivas.
Com a inserção de dados na plataforma de gestão, o próximo passo será realizar uma análise e decidir quais condutas serão tomadas.
Para isso, o sistema deve fornecer de maneira automática as métricas e direcionar as ações preventivas, como por exemplo: oferecer estudo ergométrico do mobiliário local e ginástica laboral aos funcionários, em decorrência dos altos índices de afastamento por dor na coluna.
Em resumo, cabe à empresa direcionar corretamente as ações ao setor específico para otimização de seus gastos.

Como vimos, a ausência do trabalhador é bastante onerosa para as empresas.
Então, que tal reduzir os índices de absenteísmo da sua empresa e prover saúde aos seus colaboradores realizando Gestão de atestados médicos?

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