Transtornos mentais relacionados ao trabalho

Segundo a OMS, a Depressão é uma epidemia mundial e a partir do ano de 2020 ela será a principal responsável pelos afastamentos dos funcionários dos seus postos de trabalho.

Os transtornos mentais relacionados ao trabalho podem ser provenientes de uma vasta combinação de fatores como: (i) natureza química, (ii) clima organizacional e a má gestão do trabalho, (iii) a sobrecarga de trabalho ou (iv) decorrerem da ação sinérgica de todos esses.

No Brasil, os transtornos mentais e comportamentais estão entre os principais motivos de afastamento do trabalho se considerarmos as concessões de auxílio-doença.
Isto ocorre por conta da invisibilidade das cargas psíquicas que assolam o ambiente de trabalho.

Em 2017, foram encontrados os seguintes números:

O trabalho influencia diretamente a saúde e o adoecimento dos funcionários, principalmente pelas condições dos ambientes onde se é trabalhado.

É frequente encontrarmos agressões à saúde provocadas por fatores externos tais como o contato direto com substâncias químicas e com agentes biológicos ou com constantes situações de exposição à ruídos; por exemplo.

Entretanto, é por conta dos problemas na relação entre os trabalhadores e pelas más condições do ambiente de trabalho que mais surgem os adoecimentos mentais.

Os prejuízos relacionados aos transtornos mentais custam tanto para os indivíduos, quanto para a sociedade.

Além dos inúmeros prejuízos à saúde que a depressão causa, há também significativos problemas socioeconômicos que devem ser considerados.
Funcionários doentes, que faltam ou que não exercem seu potencial pleno, produzem menos e geram prejuízos.

Segundo estudo da London School of Economics, no ano de 2016 houve um gasto de aproximadamente R$ 800 bilhões de reais com a depressão no mundo.

Só o Brasil, país que ocupa o segundo lugar entre os países com maior valor em perdas ligadas à depressão no trabalho, teve um prejuízo de R$ 206 bilhões de reais.

As principais patologias encontradas no adoecimento laboral são:

  • F 02.8 – Demência em outras doenças específicas classificadas em outros locais;
  • F 05.0 – Delirium, não sobreposto à demência;
  • F 06.7 – Transtorno cognitivo leve;
  • F 07.0 – Transtorno orgânico de personalidade;
  • F 09. – Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado;
  • F 10.2 – Alcoolismo crônico (relacionado ao trabalho);
  • F 32. – Episódios depressivos;
  • F 43.1 – Estado de estresse pós-traumático;
  • F 48.0 – Neurastenia (inclui síndrome de fadiga);
  • F 48.8 – Outros transtornos neuróticos especificados (inclui neurose profissional);
  • F 51.2 – Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não orgânicos;
  • Z 73.0 – Sensação de estar acabado (síndrome de burn-out, síndrome do esgotamento profissional);
  • Z 56. – Problemas relacionados com o emprego e com o desemprego;
  • F 19. – Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas;
  • F 41. – Outros transtornos ansiosos;
  • F 42. – Reações ao stress grave e transtornos de adaptação;
  • F 45 – Transtorno Somatoforme.
A partir do diagnóstico da patologia e da confirmação da sua relação com o trabalho, os serviços de saúde responsáveis pela atenção à saúde do seu trabalhador devem:
  • Avaliar a necessidade de afastamento (temporário ou permanente) do trabalhador;
  • Investigar e acompanhar a evolução do caso, registrando pioras e agravamentos,;
  • Notificar através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN);
  • Inspecionar o ambiente laboral e as atividades exercidas para identificar os fatores de risco;
  • Investigar o clima organizacional;
  • Avaliar o cuidado através do uso e manutenção dos equipamentos de proteção e identificar os agentes químicos, físicos e biológicos em caso de exposição.

Esse processo de gestão do quadro de saúde do funcionário vai possibilitar que sua empresa esteja preparada para evitar novos casos ou para melhor lidar com novas situações.

Os principais fatores que desencadeiam os transtornos ocupacionais são:
  • Cobrança excessiva por parte dos superiores para produção e realização de tarefas de alta complexidade;
  • Problemas de relacionamentos com a equipe ou com gestores;
  • Assédio moral, com situações de humilhação, perseguição, agressões físicas e/ou verbais;
  • Assédio sexual;
  • Ausência de feedback positivo e excessivo feedback negativo;
  • Longas jornadas de trabalho, com constantes horas extras;
  • Exposição a produtos químicos como metais pesados e solventes;
  • Estresse em virtude da auto cobrança para o cumprimento de prazos e metas;
  • Alta competitividade;
  • Falta de reconhecimento e autonomia no ambiente de trabalho;
  • Gestão ineficiente;
  • Más condições de trabalho;
  • Mudança de posição (ascensão ou queda) na hierarquia;
  • Acidentes de trabalho.

Não existe um consenso que permita a classificação exata dos distúrbios psíquicos vinculados ao trabalho, existe apenas uma concordância sobre a etiologia do trabalho.

Para formalizar a relação dos transtornos mentais com o trabalho, existe a necessidade de se estabelecer a correlação da patologia com os agentes etiológicos ou fatores de risco de natureza ocupacional, portanto, é necessário investigar as características da organização do trabalho a qual o trabalhador está submetido, buscando identificar os aspectos patológicos ali presentes.

O maior desafio da associação dos transtornos mentais ao trabalho consiste, exatamente, em fazer essa relação entre o adoecimento psíquico e os aspectos da organização laboral.

Como intervir no processo de promoção de saúde mental ao trabalhador?

A prevenção dos transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho deve se basear nos procedimentos de vigilância dos agravos à saúde e dos ambientes e condições laborais.
É necessário um planejamento integrado de ações e é desejável que o suporte ao funcionário seja feito por uma equipe multiprofissional, com abordagem interdisciplinar, capacitada a lidar com todo o sofrimento psíquico e com os aspectos sociais e ambientais que o cercam.

A intervenção sobre essas condições de trabalho se baseia no processo de análise do trabalho e da atividade desenvolvida, buscando conhecer, entre outros aspectos:

  • Conteúdo das tarefas, dos modos operatórios e dos postos de trabalho;
  • Ritmo e intensidade do trabalho;
  • Fatores mecânicos e condições físicas dos postos de trabalho e das normas de produção;
  • Sistemas de turnos;
  • Sistemas de premiação e incentivos;
  • Fatores psicossociais e individuais;
  • Relações de trabalho entre colegas e chefias;
  • Medidas de proteção coletiva e individual implementadas pelas empresas;
  • As estratégias individuais e coletivas adotadas pelos trabalhadores.
Veja abaixo algumas dicas para cuidar da saúde mental do seu funcionário:
  • Realize pesquisas de clima organizacional: saber a opinião dos funcionários é fundamental para garantir uma ambiente favorável à saúde física e mental do colaborador. Realize periodicamente essas pesquisas e fique mais próximo do seu funcionário.
  • Conscientize sobre a importância da promoção e prevenção de saúde: Sabemos que a maioria das pessoas passa a maior parte do tempo no ambiente de trabalho e isto acaba influenciando negativamente em diversos pontos como na alimentação e no sedentarismo, fomentando o desenvolvimento de doenças crônicas. Portanto é válido promover ações de saúde, campanhas informativas e palestras sobre as doenças mais prevalentes no ambiente laboral.
  • Crie programas de incentivo a atividade física e alimentação saudável: Incentive mudança de hábitos entre a sua equipe, um bom modo é criar uma competição saudável entre os colaboradores resultando em prêmios para os maiores resultados de mudança.
  • Se atente a Saúde e Segurança de trabalho: Não deixe de colocar em prática todas as determinações legais contidas nas Normas Regulamentadoras que preveem a saúde e segurança do seus funcionário – PCMSO, uso de EPIs, PPRA, CIPA, etc.
  • Cuide da ergonomia do seu funcionário: Desenvolva ações ergonômicas para os seus colaboradores, um bom modo é inserir pausas ao longo do trabalho para realização de ginástica laboral.
  • Invista em cursos de profissionalização e aperfeiçoamento: Cursos como esses engajam o seu colaborador e o motivam a investir em um plano de carreira, reduzindo o turnover da sua empresa.
  • Cuide do ambiente físico da empresa: Mobílias em boas condições, áreas para alimentação e repouso, iluminação adequada e espaços confortáveis contribuem para a qualidade de vida no trabalho.
  • Crie áreas de interação e descanso: crie espaços confortáveis para pequenas pausas ao longo do trabalho, como por exemplo para tomar um café. Uma boa área de convivência pode renovar a energia do funcionário ao longo do dia e aumentar sua produtividade.

Riscos psicossociais específicos tornam o sexo feminino mais vulnerável ao estresse relacionado ao trabalho.

Os fatores que levam transtorno à saúde da mulher são:

  • sobrecarga pela dupla jornada: desempenho no trabalho x desempenho doméstico;
  • discriminação por conta da atuação esperada do gênero feminino na sociedade
  • risco de assédio moral e sexual;
  • remuneração salarial cerca de 20% menor para a mulher do que para o homem.

Lembre-se: os casos de Transtornos Mentais Relacionados ao trabalho devem ser notificados ao SUS, através do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) e à Previdência Social, por meio da CAT (Comunicação da Previdência Social).